sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Infância Roubada

Terminei de ler um livro que mexeu muito comigo... Sempre mexem!
O que muda é o nosso estado de espírito para receber o que o livro tem a nos dar, a nossa maturidade que aumenta a cada dia, o nosso poder de interpretar um livro de mil maneiras conforme vamos ganhando experiências ao ler mais e mais e mais...
O fato é que "Fique onde está e então Corra" mexeu comigo de um jeito diferente. Amo o autor: John Boyne e amo todos os seus livros... Li "O Menino do Pijama Listrado" que também tem a guerra como temática, mas mostra um menino inocente, que vive uma linda amizade e age de acordo com sua idade... Brinca, fantasia... Apesar de triste e comovente, o livro que tem um final surpreendente mexe com a gente de uma maneira diferente do que o "Fique onde está e então Corra".
Esse último me incomodou, bagunçou a minha cabeça, me encheu de diferentes emoções. Não sei se foi o fato de o personagem principal ter 5 anos, assim como meu filho, mas doeu!
Durante todo o livro (que se passa durante a Primeira Guerra Mundial), fiquei pensando naquele menino com pesar. Um menino de 5 anos que teve sua infância roubada ao ver o pai ir para a Guerra, a mãe começar a trabalhar como louca para colocar um pouco de comida na mesa e ficar dura e fria com o tempo (afinal também estava passando por todo aquele tormento, medo e inseguranças). O pai vai a combate, a mãe passa o dia fora e o menino passa a ter que cuidar de si mesmo e lidar sozinho com todos os seus sentimentos! O menino passa a trabalhar escondido para ajudar a mãe sem que ela perceba, começa a faltar as aulas, vê pessoas queridas sendo levadas ou mal tratadas, deixa de brincar e vive num mundo cruel! Refleti muito sobre as dificuldades de um país em guerra, sobre o sofrimento e sentimentos das pessoas do povo, soldados e suas famílias, adultos ou crianças... mas, a minha reflexão foi mais além: o que estão passando tantos fugitivos que vemos todos os dias... o que está passando o pai do menino afogado que apareceu na praia e compadeceu o mundo (que perdeu os filhos e a esposa)? O que passam todos os dias tantas crianças que vivem humilhados em nosso país morando em favelas sem direito a educação, saneamento, saúde e que vivem guerras todos os dias? O que vivem as mães que têm medo do filho sair de casa e levar uma bala perdida, se envolver com o tráfico? O que vivem essas crianças? Crianças que vivem amedrontadas pela violência doméstica, pelo abuso sexual?
O que passam as crianças que têm a infância roubada desse jeito? E as crianças que tem a infância roubada por um mundo capitalista competitivo, em que crianças não podem mais brincar porque precisam aprender mais e mais todos os dias, que ficam com suas almas presas por aparelhos de televisão, computadores e tablets? Que precisam ir à aula e depois frequentar aulas extras de ballet, judô, natação, música, inglês e outras tantas que deixam suas agendas lotadas de domingo a domingo?
Vamos deixar claro que não sou contra as aulas extras, mas acho sinceramente que é preciso ir com calma. Crianças precisam brincar, desenvolver a criatividade, ter carinho e amor, precisam ser escutadas e viver como crianças...
É triste chegar a conclusão de que vivemos num mundo egoísta. Cada um pensa somente em seu próprio umbigo e bem estar. Guerras, intolerâncias religiosas, raciais... todo tipo de preconceito mostra isso. Somos uma sociedade doente e egoísta!
Precisamos lutar por uma infância de amor, para que essas crianças tornem-se adultos do amor!
Vamos salvar a infância de nossas crianças!