quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sabe aqueles amigos que não tiveram filhos ainda?


Cinco dias antes do Dia dos Pais, me deparo com este texto maravilhoso do Renato Kaufmann, do blog "Diário Grávido" e senti que tinha que colocá-lo aqui... Uma leitura que vale muito a pena!!!

"Quando eu penso nos meus amigos sem filhos, livres como pássaros, o meu primeiro impulso é dar-lhes uma bucólica pedrada.


Eles não chegam no trabalho sem saber que estão sujos de vômito. Saem toda noite, ou toda noite em que querem sair. Podem mudar de cidade, de emprego ou de vida com muito mais facilidade.

Quando me perguntam se deveriam ter filhos, ou como é, eu digo que é o máximo e que deveriam fazer isso imediatamente. Sabe aquela teoria da piscina, que atribuem ao casamento? Aquela em que você entra na água, ela está gelada,  e mesmo assim você diz que está morninha, entrem, entrem, só pra não ser o único trouxa lá? Com filhos é parecido, mas você não tem a opção de sair da piscina.

Meus amigos sem filhos, tenho a impressão, acabam se cansando da minha falta de tempo, dos meus constantes “hoje eu não posso”, ou do fato de que eu sempre tento fazer com que qualquer evento seja na minha casa, pra não precisar arrumar uma babá. Eles devem achar que eu estou na lama.

E mesmo com tudo isso, eu olho pra minha filha e penso que, se eu soubesse que seria tão bom, teria tido filhos muito antes. É quase impossível descrever esse sentimento sem parecer aqueles pais, ou mães, que não tem outro assunto senão filhos, e eu até procuro evitar, mas, afinal, aqui é Diário de um grávido, né?

A primeira coisa que acontece quando você tem um filho é que você ganha uma preocupação nova, constante e, segundo dizem, vitalícia. Você vai se inquietar a vida inteira, ainda que os motivos mudem. Uma hora não tomou leite, na outra pediu a chave do carro. O impressionante é que essa preocupação toda seja um alívio.

Sabe aquele holofote que vive em cima de você? Ele vai embora. Ainda que ali pra perto. Se preocupar com uma coisinha linda que não seja você mesmo dá um alívio tão grande, é tão libertador, que, no fim, o passarinho da história é você.

Também dá uma sensação de continuidade, de dever cumprido perante os seus ancestrais. Desde o primeiro ser unicelular até você, existe uma linhagem jamais quebrada  de sobreviventes e reprodutores. Gente que viveu o suficiente pra se reproduzir e ajudar a cria a sobreviver. E você vai ser o primeiro, em milhares de anos, a quebrar essa corrente?

Sim, a gravidez é um pouco ridícula, como as cartas de amor. Você fica ali falando com a barriga, pra que a criança se acostume com a sua voz e não só a da mãe, mas se sente como se alguém tivesse dito “fala com a minha mão”, ou fala com o oitavo passageiro. Afinal,  impressionante que um indivíduo se monte sozinho, dentro de uma barriga, usando alguns elementos disponíveis ao seu redor. É estranho, mas depois que o alienzinho vem ao mundo, você pode pegar no colo e chamar de seu.

Bom, isso aqui é um papo de pai, então vamos falar de coisas mais práticas (mães, me perdoem). Você deixa de ser invisível para a mulherada na rua. Em casa, ok, talvez você acabe fazendo parte da mobília, mas andar na rua com um bebê ou criança pequena causa um fascínio que eu nunca tinha visto. Sei lá se é biologia evolucionária, se ao parecer um bom pai você passa a ser geneticamente desejável, e eu digo, é muito divertido. Meu irmão vive pedindo pra eu emprestar a Lucia pra ele ir ao shopping. Eu digo pra ele ir furar camisinhas, que eu quero sobrinhos. Sobrinhos são como filhos que você pode devolver quando quiser, só que eles mais aumentam a vontade de ter filhos que a satisfazem.

No fim, eu fico pensando: sim, tem noites em claro – e não são daquelas que você se diverte. Sim, você chega sujo de vômito nos lugares e só descobre isso tarde demais. Sim, você não sai o tempo todo. Sim, você nunca mais vai dormir direito. Sim, a sua vida não te pertence. E sim, você nunca esteve tão feliz."


Feliz Dia dos Pais a todos!!! Muitos beijos!!!

Lívia.